quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Outros escritos #4

Na parada de ônibus, eu esperava o 825, do lado de uma senhora que compartilhava a sombra comigo, único ponto de alívio numa avenida tomada pelo calor escaldante do sol das duas da tarde. Dona Isa, como se apresentou, trabalhava ali perto de onde eu morava, pegava o ônibus sempre naquele horário para ir pra casa, enquanto eu estava indo mais uma vez para a faculdade.
Com a demora do ônibus, começamos a conversar, trocas histórias, figurinhas, experiências de vida, tínhamos idades diferentes, morávamos em locais diferentes e fazíamos coisas diferentes. Ela, uma senhora com seus quase 60 anos, tinha uma filha, um namorada e era da Barra do Ceará. Eu, no auge dos meus 21, era dali mesmo, Cidade dos funcionários, e não, não tinha nenhum filho, só o namorado.
Ela contou que naquele dia estava fazendo um mês que havia sido assaltada naquele mesmo ponto, naquela parada, eu falei que também havia sido assaltada ali, só que há mais tempo. Passamos a conversar sobre a cidade, os riscos, o perigo de sair de casa, as pessoas e o fato de nunca sabermos quem de fato elas são.
Eu contei a minha experiência, dois caras numa moto, um deles com uma arma. Ela ficou surpresa, um mês atrás, ela também foi assaltada por dois caras numa moto, mas nenhuma arma, tanto que brigou com o assaltante, ele teve que segurar ela pelos braços para conseguir alguma coisa enquanto ela esperneava e gritava, até conseguir atingir "bem entre as pernas do desgraçado", enquanto ele a xingava e ela xingava a mãe dele.
Eu ri durante a história toda, não da situação em si, mas da forma como ela contava, rindo também da própria ousadia e porque os ladrões só levaram o celular mais velho. "Celular do ladrão, né, mas fiquei toda roxa, minha filha pensou foi besteira, até meu namorado tomou um susto", declaração onde o riso morreu, ao imaginar aquela senhora já um pouco idosa, a pele quase transparente de tão branca, ficando roxa na mão de dois assaltantes que, com uma arma na mão, não teriam hesitado em fazer coisa pior. Mas ela própria continuava rindo, cada vez mais alto, da própria desventura que certamente poderia ter acabado de outra maneira. "A gente tem que levar é na brincadeira mesmo", ela me contou.
O ônibus demorava, eu já não sabia dizer se o calor do sol aumentava ou diminuía, minha companheira de espera, tão chateada com a demora quanto eu, reclamou: "E esse ônibus que não passa hein?". "O jeito é esperara", respondi. "E nossa vida não é uma eterna espera, Maggie", perguntou, falando meu nome pela primeira vez. "A gente espera pra almoçar, espera pra jantar, espera pra dormir, aí espera pra tomar café, espera pra trabalhar, espera pra pegar o ônibus". "E espera pra voltar pra casa", arrematei. "É...", a última palavra da Dona Isa, logo antes do 825 passar, pondo ao fim toda aquela espera.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Dica #3

Okay, essa vai ser estranha, porque pra começo (e até pra fim) de conversa, eu ainda não li, ou vi, o que estou prestes a indicar. Bem, talvez um pouco, se você considerar sinopse de livro e trailer de filme como consumos básicos de produtos midiáticos. Coisa de jornalista.
Até por isso mesmo não vou indicar nem o livro nem o filme (já que o primeiro é baseado no segundo) e por isso mesmo também não vai ter imagem, cabe a cada um escolher qual vale à pena consumir primeiro :D
Foram vários fatores que me fizeram querer consumir e indicar o filme e o livro. Primeiro, eu vi o trailer, antes da sessão de ooooutro filme, gostei muito da história e coloquei na minha própria lista de filmes pra assistir. No fim do trailer, é que descubro que é um filme baseado no livro de uma autora que já era dona do meu coração desde "P.S. Eu te amo", sim, Cecelia Ahern. Digo que ela me ganhou com o livro (ps eu te amo) porque não gostei muito do filme, já que eles mudaram coisas que NÃO podiam ser mudadas (na minha humilde opinião) e eu também detestei o ator que fez o Daniel, deixando o personagem muito mais pastelão do que ele já era, detalhes, gosto, etc.
Mas, por ter gostado tanto do outro livro da autora e por ter ficado absolutamente com o trailer do novo filme, eu coloquei os dois "Simplesmente Acontece" (antigo "Onde terminam os arco íris) na minha lista, ou listas, dei a mim mesma o livro de aniversário, comecei a ler e estou esperando a oportunidade (e a estreia) para ir ver o filme no cinema.
No começo, eu achei a temática bem parecida com a de "Um dia" (que eu também recomendo tanto livro quanto filme, o que fica pra outro post), um casal de melhores amigos que não fica junto. Que fique bem claro que não sei o final, então nada que eu diga pode ser considerado um spoiler, embora a capa do livro (e do filme), além do próprio nome, possam ser considerados spoilers.
Andei lendo umas resenhas no skoob e talvez eu não estivesse tão errada nas minhas considerações iniciais, o que não é o que realmente importa, ao que tudo indica "Simplesmente acontece" é uma deliciosa história cheia de açúcar de um casal e de tudo que os rodeia, amigos, namoros, casos, filhos, brigas, abraços, beijos e tudo que vier. Talvez, quanto a esse, o grande diferencial seja a forma como ele é contado através de e-mails e cartas, o que mostra várias visões da história, a de cada um que está escrevendo.
No final das contas, eu sei que parece mais uma história sobre um casal que não consegue ficar junto, aí passa 400 páginas (ou 2 horas) enrolando até que numa grande reviravolta do destino, eles ficam - de fato - juntos como todos provavelmente queriam e esperavam (lembrando que eu não sei o final). Porém, para isso, eu tenho uma resposta pronta.
"Simplesmente acontece", que já é por si só um spoiler (eu acho), não se trata do que acontece no começo e no final, seu ponto alto não é o final, como o casal termina, junto ou não, como os personagens se acham. É mais sobre o que acontece entre um e outro, entre o começo e o fim, entre um personagem e o outro. é a história como um todo, você lê com afinco não para saber como termina mas porque a história te prende, te encanta, te enlaça. Acho que muitos autores estão seguindo esse estilo em que os momentos mais cotidianos da história são melhores do que o grande beijos entre os protagonistas, por exemplo, em si.
Pode ser a forma que se narra que torna as histórias mais recentes tão encantadora, apesar de todo o açúcar (ou todo o sal que tentem jogar em cima), pode ser que sejam os personagens únicos, mas não seria novidade nenhuma se alguém me dissesse apenas que é o amor, com sua fórmula, clichê, porém mágica, de te encantar e te preder de um jeito que nenhum outro sentimento é capaz de faze.

Pensamentos soltos #5

Falha na comunicação. E se um dia perdêssemos a habilidade de falar?

Se o tempo regredisse de tal forma que não teríamos mais nenhuma das formas de comunicação que viemos estabelecendo ao longo da história da humanidade, o que isso faria conosco? Com nossas relações com os outros e até com a forma com que lidamos com nós mesmos?
Será que o mundo existiria, ou duraria? O que seria mais fácil e mais difícil?
Talvez nossa convivência, nossas ações ficassem semelhantes demais àquelas do tempo das cavernas, sem pode se comunicar, quantas coisas deixariam de existir. As conversas, as mensagens, as risadas, a escrita, as invenções, os abraços, os beijos, o amor.
Sim, o amor também, pois diante da falta de demonstrações, como seria possível impedir sua morte? Diante de tudo que talvez já tenhamos estudado na escola, em história e geografia, não é difícil imaginar as cenas de uma vida sem comunicação, como a do homem primitivo, a questão é que ele já nasceu numa época em que isso não existia e nunca teve que sentir falta do que não conheceu. No entanto, nós, hoje, acostumados a toda forma de comunicar que nem percebemos que estamos fazendo, se acordássemos da noite para o dia, sem poder falar, escrever ou usar piscadas de olho para "sim" ou "não"o, sentiríamos o choque, a dificuldade e imaginar uma realidade depois disso é tão complexo quanto reinventar a comunicação, é difícil, porque seria uma realidade difícil.
Olhando para o agora, tudo que temos disponível, não percebemos o quanto a habilidade (sim, uma habilidade) de se comunicar é importante, talvez porque nunca tivemos que sentir sua falta, ousamos abrir mão desse direito a qualquer momento que nos convenha. E diante disso, quantas coisas morrem, amores, relações, conexões, pobres vítimas da ausência da percepção de uma falta que tanto causa mal.
Talvez se um dia sentíssemos realmente saudade de se comunicar, desejaríamos com tanta força que reinventaríamos e o faríamos com mais afinco. Se, por outro lado, vivêssemos na iminência de perde-la, talvez - e apenas talvez ~ cada um de nós daria mais valor, do "bom dia" ao "eu te amo", do aperto de mão ao abraço de urso, do "boa noite" ao "te vejo depois", ao "falo com você depois", mesmo sema noção do quanto o pequeno verbo contido nessa frase significa.

Mas se ela não existisse, eu também não estaria aqui digitando e, no final das contas, quanta diferença isso faria?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Foto da semana #4

A foto de hoje é da linda da Janaína Oliveira e fez parte de um ensaio que nós fizemos em Fortaleza, na praça dos Martíres ;)


domingo, 30 de novembro de 2014

Carta de despedida ao meu ídolo

(Talvez seja o maior dos clichês, mas já que eu sou um clichê ambulante - e clichê nenhum supera meu amor pelo Chespirito - eu não podia deixar essa carta só na mente, ficaria tudo muito cheio num momento em que eu só precisava estar vazia.)


Diz agora como eu vou assistir Chaves sem chorar, ou como eu vou rir assistindo Chapolin, se cada um deles leva o seu rosto?
Mas talvez eu vá porque aprendi com o mestre, o mestre que me ensinou a ser alegre, a cantar, a rir das coisas mais simples, ensinou sobre coisas mais importantes também, como vingança, amizades, sobre repartir e compartilhar, tanta coisa que eu aprendi rindo e vou levar para o resto da vida.
O mestre que inspira minha vida acadêmica, cujas frases eu repito sempre, que me fez uma criança mais feliz que trocava o sim pelo não e sonhava em ter um barril pra se esconder. Me levou a acapulco, a viagem mais importante da minha vida, sem nem sair de casa. Me levou pra escola, aulas de história, aritmética, artes e me fez gostar de aprender. Com ele, aprendi sobre tribos perdidas e que não são pedras, são aerolitos. Gargalhei com a corneta paralisadora e as pílulas de polegarina, enquanto aprendia que ser pequeno tem suas vantagens. Ele me ensinou a importância da consciência limpa, o valor das risadas e que água suja pode ter gosto de refresco. E, hoje, talvez eu seja uma pessoa melhor porque tive Bolaños na minha infância e adolescência, assim como terei para o resto da vida.
Obridado Bolaños, por ser parte de que eu sou, pela sua influência na minha vida, por me transformar na pessoa de quem outras pessoas lembram quando veem qualquer coisa sobre Chaves. Há uma semana atrás, eu cortei o bolo dos meus 21 anos com as iniciais do seu apelido mais célebre, hoje você deixa o mundo, apenas fisicamente, porque você nunca vai morrer.
Eu prometo me despedir sem dizer adeus jamais, pois enquanto seu legado viver, haveremos de reunirmos muitas, muitas vezes mais.


"... não pense, Chaves, que não darei valor à nossa possível amizade. Eu só quero lhe agradecer. Agradecer infinitamente por tudo que me deu..." (O diário do Chaves)

Obrigado, Bolaños. Obrigado, Chespirito. Obrigado, mestre.

sábado, 29 de novembro de 2014

Tudo é rima #4

Queime meu nome, queime minhas coisas
queime quem sou,cada vez mais quente
porque eu já estou vivendo no inferno
e tenho que agradecer pelas correntes

É engraçado perceber o que as pessoas preferem
toda a artificialidade e toda falsidade que há
porque é difícil lidar com seres humanos reais
e os robôs são tão mais fáceis de controlar

Acho que alguém esqueceu de me programar
e o vocabulário não é o certo
nem a cor, nem o cabelo, nem o rosto, nem o corpo
e por isso, e por mais mais, me odeiam

Acho que esqueceram mesmo de me programar
seja lá quem fosse o responsável
e não há 'por favor', 'com licença' e obrigado
que faça essa garota se enquadrar

Está muito tarde pra isso
quando todos já conviveram comigo
e sabem ou pensam saber quem sou
a menina que não agrada o acusador

Então queime, mais quente melhor
eu sou a pior ovelha negra que você vai encontra
a ovelha sem dono e criador que caminha
e vai escolher qualquer coisa a agradar

Deixe que com as correntes eu lido
já estou no inferno mesmo
e quando meu sangue começa a ferver
é que eu sei exatamente o que fazer

Mas eu nunca vou ser aquela menininha
que todos amam e deixando quando acabou
eu sei que eu nunca vou viver para gostarem
do que aquela menininha se tornou

Eu não vou sorrir porque esperam
não vou agradecer pelo sofrimento
não vou olhar de baixo pra cima
vou lidar com os fracassos de ser eu mesma

Vou fugir quando tiver a chance
e deixar todo o inferno pra sempre
e eu sei que não vou olhar pra trás
e sei que nenhum inferno dura eternamente

Eu vou saber os rostos a evitar
porque meu sangue ainda vai  ferver
longe do inferno em que me joguei
eu vou sempre lembrar, pode crer

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Dica #2

Eu não quero ser o seu herói

Faz alguns meses que eu soube, através das redes sociais, sobre um tal filme que demorou doze anos para ser gravado, antes de ir parar nos cinemas. Como a maioria que ficou sabendo disso, foi tomada primeiramente por uma curiosidade latente antes de saber do que realmente se tratava, mas, na verdade, não era tão difícil de entender.
O filme "Boyhood" - algo que pode ser traduzido por "infância", ou o tempo relacionado à infância de um menino - dirigido por Richard Linklater e com atores como Ethan Hawke e Patricia Arquette (além do menino Ellar Coltrane) no elenco, chegou aos cinemas no fim de outubro desse ano, sendo que ele começou a ser filmado em 2002, aparentemente, em total sigilo entre a equipe e os atores.
O que acontece é que a cada ano, o elenco (acrescido ou diminuído) se reunia e gravava por alguns dias, por aquele ano, descobri há pouco tempo que foram ao todo 39 dias de gravação, ao longo de cerca de 12 anos, para nos trazer quase 3 horas de filme sobre a infância, a adolescência e o início da juventude de um menino comum, com problemas comuns, Mason Junior.
Tal como seus 12 anos de filmagens, o filme atravessa 12 anos da vida de Mason, dos seus 6 a seus 18 anos, passando pela sua infância e adolescência, capturando momentos como as espinhas, o divórcio dos pais, as implicâncias da irmã mais velha, a primeira namorada, a primeira cerveja, o primeiro cigarro, o novo casamento da mãe, a primeira briga, bullying, faculdade, entre tantos outros que podem ser encontrados em qualquer vida.
É exatamente aí que moram a beleza e a sensibilidade do filme, é bem mais do que a possibilidade de se identificar com algumas situações, como o divórcio dos pais, ou namoros e términos. É mais sobre mostrar como a vida "normal" pode ser extremamente fascinantes.
Enquanto víamos o filme, num sábado de madrugada, meu namorado e eu ficamos esperando pela tragédia do filme. Sim, algo que representasse uma reviravolta na história, uma morte ou algum trauma que realmente pudesse mexer com o rumo do filme e dos personagens. Não é que traumas e reviravoltas sejam inexistentes em vidas comuns, mas é tão maior que isso.
O cinema comercial tem jogando em nossas mentes de que a vida só vale à pena pela aventura, pelo ato de visitar outros planetas, ou ter poderes especiais, ou escapar da morte em um acidente de carro ou uma queda de um prédio altíssimo, ou enfrentar algum animal que sofreu uma mutação genética, ou, em casos mais simples, se apaixonar por alguém que está morrendo.
Não me entendam mal, eu sou uma fã assumida de dramas, adoro "A culpa é das estrelas" e amo os clichês de Nicholas Sparks do fundo do meu coração, mas o tipo de aventura que estão nos vendendo é muito mais do que realmente precisamos e é isso que "Boyhood" mostra através de um ousado projeto de seu escritor e diretor.
Meio que me fez lembrar de quando assisti "De repente 30" e, apesar do filme ser algo impossível na realidade, há um trecho em que a personagem central - Jenna - fala sobre a importância da simplicidade na vida das pessoas. Não estou com isso querendo afirmar que "Boyhood" é apenas um filme simples, mas é exatamente o contrário, ele mostra como o simples, ou às vezes até aquilo que já consideramos banal - pode ser encantador, emocionante, fascinante seria a palavra que eu realmente escolheria.
No fim, assistir o filme se traduz em uma experiência maravilhosa, que altera seu modo de enxergar a vida "simples", como altera, faz perceber que a verdadeira aventura da vida é aquilo que acordamos e levantamos para enfrentar todo dia, é a volta de bicicleta, são as quedas.
No fim, Linklater mostrou que uma prova na escola é uma grande reviravolta, através da vida do jovem Mason, apresentou a infância como uma aventura, a adolescência como uma aventura e tudo depois disso como possibilidades ainda maiores.
Talvez uma das coisas que tenha mais me encantado, e que só fez sentido quando vi o filme inteiro, foi a música do trailer. A música "Hero" (cantada por Family of the year) traz em seu refrão a seguinte letra:

"Me deixe ir
eu não quero ser o seu herói
eu não quero ser um grande homem
só quero lutar como todo mundo"

Foi essa a mensagem que o filme mais me passou enquanto eu torcia pelo atrapalhado, complexo Mason, filho de pais separados assim como eu, lidando com todos os problemas da adolescência assim como todos, fazendo relembrar como a dita simplicidade é um milagre, é uma história, o cotidiano, escrito todos os dias. Por me fazer perceber isso, lembrar isso e me encantar com isso, só posso agradecer ao diretor ousado que pôs essa ideia em prática e, claro, indicar "Boyhood" pra quem não tiver medo de chorar um pouco na frente de um videogame, uma bicicleta, um videogame, uma lata de cerveja, um toyota caindo aos pedaços.


Imagens:
http://www.boyhood.be/
https://fandangogroovers.files.wordpress.com/
http://i.guim.co.uk/

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pensamentos soltos #4














Alguém me disse uma vez
Que felicidade é sobre ser
Acho que li em algum lugar
Ou escutei, não sei dizer

Mesmo assim, alguns teimam
Que felicidade não existe
Que não é estado de espírito
Como seria estar triste

Foi quando minha mãe me contou
Em meio aos meus dilemas
Que ser feliz são várias rimas
E felicidade é o poema

Que se constrói com os momentos
Como uma casa de peças lego
Mas que ainda não é chegada
São os passos dados pela estrada

São as risadas no caminho
São as mãos dadas na calçada
É um amor que usa óculos
E gira o mundo quando te abraça

É o chocolate dividido
É o beijo primeiro beijo na escada
É o que eu quiser que ela seja
Desde que eu viva sem busca-la

Pois ela chega até mim
Como um pequeno barco à vela
E se os momentos são o vento
Não a possuo, eu que sou dela


(Imagem: http://galeriadamaodireita.blogspot.com.br/)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cheiro

Minha roupa tem esse cheiro de comida
da única que eu aprendi a cozinhar
antes tudo que tinha era seu cheiro
agora faz tempo que não vou te visitar

Mas se é a roupa de dormir
um dia você já esteve aqui
até tão tarde assim
que cheiro foi esse que eu senti

Mas eu não lembro do teu cheiro
eu lembro mesmo os caminhos
tortuosos, cheios de espinhos
que a vida nos fez caminhar

Lembro as brigas de madrugada
tão cansados, tão vencidos
eu não estava contigo nem você comigo
mesmo estando ambos lá

E o lá é esse espaço
sem som, música, ou poesia
sem amor, só agonia
aonde podemos chegar

Sem beijos, abraços, carinhos
aqueles caminhos cheios de espinhos
só tem tudo que a gente joga fora
o limbo da atenção que a gente não dá

O inferno de tudo que a gente deixou passar
o paraíso das coisas debaixo do tapete
a bola de neve rolando sem parar
atropelados pela bola feita da gente

Sufocados por todas as palavras não ditas
afogados nas palavras ditas demais
perdidos entre o que se queria e o que se tinha
longos caminhos entre a desconfiança e o tanto faz

Se nos importamos, ou se não foi assim
se até ligamos, mas sem conseguir
eu sei que você ainda estava bem aqui
mas o teu cheiro já não sentia, eu percebi

Que era longe o amanhecer
sem saber onde você andava
ou se eu mesma estava
ou se queria estar

Se era doença ou fome o que eu tinha
o que me impedia mesmo de caminhar
se era fome, fazia aquela comida
e ficou o cheiro dela onde o seu não está

Pensamentos soltos #3

Ainda hoje, passeando pelo facebook, em um daqueles momentos em que você passa por tudo, mas não olha pra nada, uma manchete em particular capturou minha atenção, subi a tela um pouquinho e ela ainda estava lá, agora não lembro exatamente as palavras, mas era algo sobre como os "malucos" irmãos Smith (Jaden e Willow), filhos do astro Will Smith, deram a entrevista "mais maluca da história", dessas palavras eu me lembro.
Primeiramente, eu fiquei tentando imaginar o que de tão maluco eles teriam dito, mencionado ditadura ou direitos diferentes para gêneros diferentes, algo homofóbico, racistas e o que mais eu pudesse considerar de maluco para dois adolescentes em pleno 2014. No entanto, eu perdi a atenção depois de segundos e decidi que não valia o clique e nem a leitura.
Foi o compartilhamento de uma conhecida e a presença de um post parecido no Yahoo! que me fizeram finalmente decidir o que teria sido dito de tão horrível/maluco para estar repercutindo tão rapidamente. É, eu deveria ter ficado quieta, isso sim.
Não pelos meninxs, é bom deixar claro. Falando sobre a entrevista, eles falaram sobre conceitos de tempo, sobre a escola, sobre o gosto de um deles pela física quântica, sobre aprendizado e conhecimento. Eu adorei, não poderia ter gostado mais, dois adolescentes de 14 e 16 anos, com suas carreiras e sua fama, mas que não se reduziram a isso (seja lá o que "isso" for) e falaram abertamente sobre suas ideias, bem diferentes até, transformando mais uma entrevista com estrelas em um papo intelectual, demonstrando inteligência e uma rara maturidade tanto para a idade, quanto para o status dos dois.
Se fosse apenas pela entrevista, eu poderia ir dormir  feliz. Só que entre as respostas que os Smith deram, estavam as considerações da blogueira (ou era um blogueiro?) sobre a entrevista em si e sobre a repercussão que vinha tendo. Mais uma vez, eu vi os garotxs serem taxados de malucos por suas ideias, só que agora eu sabia o motivo e foi impossível não me indignar com a forma com que eles foram pintados na matéria, só faltou chamar de débil mental, ou algum semelhante, tanto pela(o) blogueira(o), quanto pelo outro lá, o Hugo Gloss, que eu já ouvi falar, mas não sei mesmo quem é. Só esses dois, já que eu evitei ler outras matérias sobre a entrevista, apenas vi as manchetes e já sabia que se eu quisesse le, deveria apenas me preparar para mais do mesmo. E eu não gosto nenhum pouco da ideia desse "mesmo".
Eu, que poderia ter ido dormir feliz, acabei profundamente triste com a forma como os meninxs foram taxados pela entrevista. Eles, que se mostraram intelectuais, inteligentes, avançados para a idade e para a própria época, foram reduzidos a malucos. E por quê? Por serem famosos? Por serem duas jovens estrelas que não deram o que era esperado deles? Pela Willow que não dissertou sobre roupas, cabelo, unhas, maquiagem e capas de revista? Pelo Jaden que não falou sobre carros, namoradas, festas e bebidas? Foi porquê eles não deram aquilo que alguns jornalistas estão acostumados a receber de celebridades? Uma coletânea de abobrinhas, conversas superficiais, polêmicas sobre vida pessoal e cartilhas se senso comum que eles podem facilmente julgar e colocar na internet ao lado de matérias sobre a aparência de algum famoso, quem terminou com quem, quem começou a namorar quem, ou quem saiu na capa de tal revista porque deu vexame em alguma festa?
Minha intenção não é criticar esse tipo de mercado de notícias, mesmo porque cada mercado tem seu próprio público e seus próprios profissionais, mas julgar e taxar Jaden e Willow Smith pelo motivo que o fizeram foi errado, a meu ver, e eu gostaria de entender porquê fizeram isso. Eu gostaria de entender porquê algo que deveria ser admirado em, novamente, dois adolescentes de 14 e 16 anos, foi jogado ao escárnio, ao julgamento barato e ao senso comum de pessoas que estão gritando "malucos" sem saberem o porquê.
Eles foram julgados, de forma ridícula, ainda não entendi o porquê, já que o motivo que estão usando não me chega nem perto de ser suficiente. Eu até queria não ter de aceitar que o motivo, dos julgamentos, é a doença que permeia a sociedade em que vivemos, a desproporcional inversão de valores, os martelos invisíveis que pessoas carregam para tacar em outras na tentativa de validar a própria existência e, assim talvez, se sentir melhor consigo mesmo e a própria inércia.
Estamos jogando os martelos errados nas pessoas erradas. Não precisamos de martelo, nem de julgamentos.


(Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEMsrYWZcO_pV8mUz3iyCR4Z0I7xDeZHyi6adAvq0qPbzcyiiBUBu4FJxhyphenhyphen3fOSj9Jpas_xgJqvD2y-buLprlpR6NfdFS8qGk4rxrP8U0n_VcCiPFamuPdcj2z7t6Plqg8DaJ6g7R1jp8/s1600/martelo.jpg)

domingo, 16 de novembro de 2014

Foto da semana #3

Nada representa melhor o meu ócio do domingo, o sono, o olhar para o amanhã e tudo junto numa paz deliciosamente esquisita que só o domingo pode me proporcionar.

Outros escritos #3

Era domingo, calor, estresse, brigas e uma montanha de trabalhos e leituras a serem concluídas para a faculdade. Uma bagunça organizada na minha mente, no meu quarto, misturada a saudade de casa, a vontade de não estar só, vontade específica que só poderia ser preenchida por algumas pessoas que, porque não poderia ser diferente, estavam longe, fora do alcance dos dedos, das passagens de ônibus, abraços impossíveis, apenas vozes e imagens matando a vontade, a saudade, que não morria, dormia e sonhava, se construindo do próprio dono, alimentando sua própria força e uma hora voltava.
Um pequeno caos sentido devidamente, acolhido, aceito, abraçado. Em meio a ele, o silêncio quebrado pelo barulho de um celular vibrando, bem ao meu lado, o aparelho cheio de lembranças usadas para aplacar a saudade, a saudade que só crescia, o aparelho tocava, vibrava como o meu próprio peito mostrando que estava vivo. 
Um "alô" normal e a voz do outro lado, minha mãe, trazia notícias, novidades, tão bem vindas, gerando ansiedade, o que ela trazia de presente poderia ser antecipado pela vozes infantis que podiam ser ouvidas mais distantes. Os olhos brilharam, sem poder ser vistos, o brilhos molhado de lágrima começando a se formar nos cantos.
Minha mãe passa o telefone e a voz infantil, antes distante, agora monopolizava o telefone, com suas própria notícias, histórias e tudo que havia para ser dito. Demorou para perceber que a voz infantil já não era tanto, mas mudava, conforme seu dono crescia e através daquela voz, o menino nunca pareceu tanto um garoto mais do que um bebê, e a saudade inundou de novo, transbordou no peito, abriram-se todas as comportas e ela passou como um rio, como o próprio sangue, se espalhando na corrente, por cada pedaço do corpo, dando vida, dando a sim mesma, se fazendo sentir e, como água, traduziu-se em lágrimas que deslizaram pelos olhos, comportas da alma.
E eu só queria continuar ouvindo a vozinha que já sabia responder as minhas e fazer suas própria perguntas, eu estava namorando, estava, eu estava em Fortaleza estava, eu ia visitar minha cidade no fim de semana, iria, eu iria levar presente, iria, o que era, uma bola, queria jogar. Ele já sabia ler sozinho, leria pra mim, mesmo que só um pouquinho, tinha um irmanzinha longe, não tinha visto ainda, mas sabia o nome dela, gostaria quando visse. Estava acompanhado dos outros irmãos, queria andar de bicicleta, mas estava com os pneus secos, a bicicleta, brincava com o cachorro, iria ao meu aniversário no fim de semana, deixariam?
A conversa fluía, entre novidades, perguntas e respostas, brincadeiras, a vozinha crescendo, a imagem do garoto de formando na mente, tanta saudade, tantas promessas. Pequenos silêncios, timidez, tanto tempo entre o antes e agora, tanto tempo entre o telefonema e a última conversa, teria sido por telefone? Tantos laços, tantas lágrimas derramadas.
- Tá com saudade?
- Tô
E todos os laços, toda a saudade, todas as lágrimas, conversas, esperanças e promessas expressas em apenas duas palavras que poderiam falar, como falaram, mais que um livro, mais que um caminho, mais que um discurso e, depois delas, o ponto, um ponto. O ponto na sexta, o objetivo, a ida, o até lá, até o dia, até o abraço. Eu vou. Eu levo, Eu sou, Eu te amo.

Até sexta, meu anjinho Gabriel.

Tudo é rima #3

No começo, é menininha
a caminho da escola
na mochila, uma boneca
embaixo do braço, uma bola

No outro dia, já cresceu
volta pra casa sozinha
olha para o lado, atravessa a rua
está crescendo a menininha

Dias depois, quem é agora
os cachinhos já cresceram
alisaram, escorreram
a menina é uma garota

Já tão tão alta e tão forte
chega em casa à noite, tarde
sabe sair, sabe beijar
sabe ser, sabe criar

A menina é uma mulher
e tantas coisas encontrou
que se perdeu pelo caminho
o mesmo que ela traçou

Não brinca de boneca, não há cachos
atravessa a rua sem olhar
e a bola antes embaixo do braço
ela não sabe onde está

Não chega tarde, não sai, não é
porque a menina que é melhor
está perdida tentando achar
o seu caminho, o seu lugar

Velhos textos #3


O ciúme é egoísmo
ou é amor?
O carinho é dispensável
ou é paixão?
A mentira é uma saída
ou causa dor?
O sentimento vem do cérebro
ou do coração?

O desejo é carinho
ou só atração?
O sexo é com a alma
ou só o corpo?
O amor me torna dois
ou sou só um?
A dor que eu sinto é minha
ou é do outro?

O amor é nosso segredo
ou publicidade?
A ilusão é uma mentira
ou a verdade?
O toque existe em tudo
ou só em mim?
Eu ganhei com a distância
ou só perdi?

Eu realmente vivi
ou só sonhei?
É um ponto de partida
ou de chegada?
O amor será maior
ou foi só isso?
O término é mesmo o fim
ou só o início?

Tenho lido #2

Sábado que vem, dia 22, é meu aniversário de 21 anos. Uma das maiores verdades do universo a respeito do meu aniversário é que eu AMO ganhar livros. Na verdade, eu amo ganhar um monte de coisa, amo ganhar presente e ponto, mas nada se compara a ganhar livros e quanto mais deles melhor porque então eu posso ficar babando encantadoramente enquanto olho para minha estante cheia de livros que eu quero ler assim que a faculdade deixar.
Pois bem, eu geralmente ganho um livro no aniversário, sempre surge uma alma caridosa que lembra disso e me presenteia, o que eu não esperava para esse ano é que fosse ganhar um livro da própria editora Abril :O
Eu sou assinante da Abril já faz um tempo, assino a Superinteressante, que conheci aos 8 anos, há cerca de 3 anos, há um ano atrás também assinei a Mundo Estranho (minhas duas revistas preferidas, sem segredo nenhum). Por isso mesmo, amo os livros especiais da Superinteressante, tenho uma lista dos que eu quero comprar e ler, sendo que "As melhores 25 reportagens..." está bem no topo. Sério, eu amo essa revista. Qual não foi minha surpresa quando junto com a Super de novembro veio um livro, "Os 11 maiores mistérios do universo". Demorei pra entender, a assinatura não inclui especiais, só uma edição especial da revista que é lançada uma vez por ano, só depois de lembrar isso foi que caiu a ficha do meu aniversário chegando e eu pude apenas ficar embasbacada e tremendamente grata pelo presente, meu primeiro livro da Super.
Depois da surpresa, eu fiquei um tanto temerosa, por assim dizer, olhando o sumário de livro, vi que os mistérios envolviam coisas como a existência de Deus, vida após a morte e coisas do tipo. Como cristão, assumidíssima, tenho minha crença em Deus e muitas outras que vem com ela e a Super, embora nos demos muito bem, possui uma linha bem científica ateia, não que eu não goste de ciência (muito pelo contrário!) ou que algum questionamento científico possa fazer eu questionar minhas crenças, tenho muita certeza do que eu creio, mas às vezes é apenas incômodo ter alguém ou algo tentando me convencer do contrário. Por isso, devido ao que eu já conheço sobre a Super, fiquei com medo de pegar um livro pra ler que fosse apenas isso, jogar pra mim o oposto do que eu acredito, não seria uma leitura muito agradável, eu tenho que dizer.
No entanto, passando as páginas e ainda na introdução, o autor, Reinaldo José Lopes, confessa que é católico, tem suas próprias crenças e que nada o convence do contrário, mas que considera importante analisar pelo viés científico, visto que a ciência não é cristã nem ateia, e que pode dar luz a muitos assuntos. É claro que ele não fala com essas palavras, nem em tão poucas linhas, mas ler as duas páginas de introdução realmente me trouxe uma alívio e uma vontade a mais de ler o livro.
Até agora, só pude ler o primeiro capítulo, na verdade começa-lo já que recebi o livro ontem, mas posso dizer que tem sido uma leitra interessante, diferente do que eu esperava, informativa, aberta, está rendendo e creio que ainda vai rende
r mais em mistérios que realmente me interessam, não só a mim, mas a tanto, que independente de outros fatores, deveriam estar abertos ao livro, pelo que ele pode proporcionar.

Dica #1

Eu não sei quantas pessoas hoje em dia gostam de "Chaves", não o falecido ex-presidente da Venezuela, mas o seriado. Aquele criado pelo Roberto Bolaños, o mesmo que criou o Chapolin. Bem, se você não souber quem é o Chaves, dificilmente vai saber quem é Bolaños, então, pra fechar, e deixar mais óbvio impossível, é aquele que fala "sem querer querendo", ninguém tem paciência comigo", "tá bom, mas não se irrite" e por aí vai numa sequência de bordões que já tem décadas de idade quase todo mundo já escutou (e até falou), pelo menos uma vez na vida.
Então, voltando ao início, eu não sei quantas pessoas, hoje em dia, gostam da série ou do personagem, se consideram fãs, ou apenas já assistiram uma vez ou outra. É mais fácil dizer que qualquer pessoa pode conhecer, apenas.
No entanto, o que todo mundo, ou pelo menos maioria, conhece é o garoto órfão que vive dentro de um barril numa vila com pessoas de todos os tipos, que vez ou outra apanha de um senhor viúvo, que nunca paga o aluguel, e tem uma filha muito esperta  teimosa. Também faz favores para todo mundo, geralmente em troca de uma moeda ou um sanduíche de presunto, para as outras senhoras da vila, uma que é sempre chamada de bruxa, outra que também é viúva e tem um filho que não é muito... inteligente. Mas os filhos dos moradores da vila são amigos do garoto do barril, que também interage com o dono da vila, o carteiro, entre outros personagens que aparece uma vez ou outra.
Basta assistir uma vez para ter acesso à maioria dessas informações, enquanto outras, em sua maioria, ficam mais restritas ao fãs, fãs mesmo, do Chaves. Por exemplo, conversando com meu namorado outro dia, eu fiquei surpresa ao descobrir que ele pensava mesmo que o Chaves morava no barril. Pouca gente sabe que o garoto não mora lá, mora na casa de número 8 e usa o barril para ficar sozinho ou se esconder. Pensando nisso, eu também percebi que tem gente que ainda hoje não sabe que Dona Florinda e sua sobrinha Pópis eram interpretadas pela mesma atriz, Florinda Meza. O mesmo para o Seu Barriga e seu filho Nhonho, que ganhavam vida através de Edgar Vivar. Claro, essas são informações básicas, existem outras e outros questionamentos referentes à história em si, que muita gente já quis saber. Por exemplo, onde estão os pais do Chaves? Como ele chegou na vila? Quem é Cente?
São muitas, há outras, algumas são esclarecidas em alguns episódios, outras, quando surgem, permanecem sem resposta para aqueles que só assistem e consideram que o mundo de Chaves ficou restrito ao seriado. É aí que entra minha dica porque não é bem por aí. Roberto Gomez Bolaños, o criador da série, escreveu um livro - O Diário do Chaves - que por muito tempo ficou relegado àqueles que se definem como superfãs da série. Sem nenhuma divulgação, ou associações diretas ao personagem, o livro sempre esteve em prateleiras meio que esquecido, procurado por aqueles que, através de pesquisas na internet, descobriram sua existência.
Mas eu escolhi falar dele porque acho que não deveria ser restrito a fãs, acho que qualquer pessoa que já tenho visto a série, nem que seja só um episódio, ou tenha tido um carinho por ela em algum momento da infância, deveria ler esse livro e se sentir um pouco mais próximo do personagem que encantou gerações de crianças.
O livro, realmente em forma de diário, narrado pelo próprio Chaves, traz informações importantes, o garoto fala de sua infância, de sua mãe, o tempo que viveu num orfanato, as pessoas que conheceu, os amigos que encontrou na rua, tudo antes de chegar à vila, eventualmente, quando ele chega, fala sobre as pessoas que encontrou lá (personagens que já conhecemos tão bem), sobre a enigmática casa 8, onde ele, de fato, morou e os dias que se seguem no único lugar que ele escolheu como casa e encontrou verdadeiros amigos.
Além da história de Chaves, o livro traz uma bela história, emocionante em muitos momentos, sobre um menino órfão que lidou com as mais diversas dificuldades antes mesmo de chegar aos 8 anos de idade. Se esquecermos por um instante de quem ele fala, podemos apenas nos encantar com a história contada. Se quisermos estar cientes o tempo inteiro que ele fala sobre Chaves, vamos nos deliciar coma quantidade de informações sobre a série e  personagem que em muitos momentos parece já saturado, descobrindo que, na verdade, há sempre algo novo a aprender sobre um vizinho antigo.

Fica a indicação, O Diário do Chaves, de Roberto Gomez Bolaños, o Chaves ;)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Pensamentos soltos #2



Acho que somos guerreiros, devemos ser
Enquanto estão todos terminando
Nós dois continuamos juntos
Se recusando a simplesmente ceder


Dever ser força, fé, ou amor
Não tenho certeza do que é isso
Mas o motivo importa mesmo
Quando tudo que eu quero é ficar contigo?

Foto da semana #2



Tenho um carinho enorme por essa foto... Um entre os mais de 20 cães e gatos que uma amiga abriga na sua própria casa, uma história incrível que acabou sendo retratada numa matéria feita por mim e pelo Lucas Bernardo para o Portal Online da TV Diário :D


(Imagem: Maggie Paiva)

Outros Escritos #2


Muita coisa aconteceu entre o meu post de sexta (Tudo é rima) e o sábado, aí me atrapalhei toda... Felizmente foram coisas boas, minha segunda sobrinha,que estava sendo ansiosasemente aguardada por essa tia babona, chegou quase de madrugada, aí foi correria, choro de alegria, querer ver, querer pegar e amar a mais nova pessoinha da família, por quem já estou totalmente apaixonada. Inspirada pelo nascimento da pequena Rebeca, eu - que já tenho de sobrinhos o Alan, o Rayan e os pequenos Gabriel e Raquel - resolvi trazer algo de um deles pra compor o post de hoje, expressando todo meu cansaço de espera, mas minha felicidade pelo momento que chegou.

Era um domingo, lembro que era domingo porque foi um dia muito importante, não que eu soubesse disso enquanto o dia passava, eu só ia descobrir mesmo de noite. Mesmo reconhecendo a importância desse dia hoje, não consigo lembrar de tudo que eu vivi durante suas horas. Lembro do sol escaldante, de uma bola, de estar em outra cidade, visitando a família do meu pai, brincando com primos que eu conhecia e com o que eu não conhecia também, mas são coisas facéis de lembrar, o que realmente iria marcar aquele 13 de maio de 2007 na minha vida só iria acontecer quase no fim daquele dia, que era inclusive dia das mães.
Depois do dia cheio, quente, cansativo e distante, era hora de voltar pra casa. Eu posso dizer que não lembro nem como cheguei em Quixadá, se fui dormindo o caminho todo, ou algum pedaço, ou quanto tempo durou, só sei que eu cheguei, com meu pai, e minha mãe já estava nos esperando com uma notícia mais do que aguardada: O Gabriel havia nascido.
Faz-se necessário explicar quem era Gabriel, além do óbvio de que ele era um bebê recém nascido. João Gabriel nascia pra ser o primeiro filho do meu irmão mais velho, uma vidinha ansiosamente aguardada pelos últimos nove meses, que chegava a essa Terra bagunçada pra ser babado e muito amado pelos familiares, especialmente pela tia que já vinha sonhando com o rostinho dele por várias noites.
Quando a minha mãe falou, parece clichê, mas por um segundo eu nem acreditei, parecia aquelas coisas boas demais pra ser verdade ou pra acontece com a gente, mas no segundo seguinte, com a ficha caindo à força, eu só queria voltar para dentro do carro e ir para a maternidade da cidade o mais rápido possível, conhecer aquela pessoinha que eu já amava tanto. E foi o que aconteceu, não me pergunte quem dirigiu, não me pergunte nem se eu fui realmente de carro, eu só sei que em algum momento eu estava caminhando a passos largos pelo corredor branco dos hospital, os passos endereçados de quem cresceu correndo por aqueles corredores, eu sabia exatamente pra onde ir.
Na porta do quarto certo, eu parei pelo que pareceram ser milésimo de segundos, antes de abrir e entrar no quarto branco, bem de frente para a visão que mudaria minha vida e me apresentaria a um amor como eu nunca imaginei ser possível sentir. Lá estava ele, tão pequeno, enrolado em uma coberta azul, a cabeça com alguns curativos por conta de complicações no parto, enrugado, vermelho, bochechudo, saudável e eu embasbacada só olhando, sem saber que reação ter ou que atitude tomar diante daquela primeira vez, aos 14 anos de idade. Nesse ponto, as coisas se misturam um pouco, eu não lembro mais o que exatamente aconteceu e a ordem dos acontecimento, lembro de ter ficado muito tempo olhando para o pequeno João Gabriel, lembro de finalmente ter tido coragem para segurar, lembro da mãozinha minúscula dele segurando um de meus dedos, gesto que ele ainda repetira muito, lembro, por fim, de ter me apaixonado por aquele ser humanos com tão poucas horas de vida e de experiência, mas com uma capacidade de se fazer amado que só podia ser de outro mundo.
Por tudo que eu senti nesse dia, por tudo que aconteceria depois, por tudo que eu viveria com aquele garoto, por tudo que ele me ensinaria através da sua inocência de criança, por todas as madrugadas acordada, os choros, as histórias contadas, os risos, a mãozinha segurando meu dedo, o gesto mais simples que me mostrou o que há de mais complexo, porém real, em saber que você daria a sua vida pela de outra pessoa.

Para o pequeno, que já tem 7 anos, João Gabriel, um dos maiores amores que eu conheci nessa vida <3

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Tudo é rima #2



Feche os seus olhos e deixe-me estar
Assim bem perto pra poder te amar
Sem olhar ou ouvir, deixar o silêncio traduzir
Sem nenhuma palavra, deixar o carinho falar por si

Nos momentos que eu guardo, tem tanto assim
De beijos e abraços, mãos dadas, enfim
Só eu e você, como tem mesmo que ser
E deixa o resto do mundo sumir

Os dedos entrelaçados me mostram claramente
Como as mãos se encaixam e o coração sente
Que todo o resto se encaixa, que ali é o certo
O resto bem longe e se você por perto

Coração com coração, batendo em sincronia
Sentindo o que só com você poderia
Pele na pele, em tantas trocas de calor
Nos gestos, no toque, sentindo o amor

Amando quem amo, não pode ser diferente
Eu sinto e eu guardo, vou lembrar por inteiro
De olhos fechados, os lábios nos lábios
Teu peito embaixo, meu melhor travesseiro


(Homenagem ao amor)

(Imagem: Maggie Paiva)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Velhos textos #2





Tinha tudo no lugar
Até o suspiro contínuo
A rotina conhecida
O adeus de cada dia

A cama estava bagunçada
E o cabelo desgrenhado
Na boca, o gosto de beijo
No lábio, o toque molhado

Os pés estavam esfriando
Mesmo no calor daquela noite
O quarto estava vazio
E ele nunca foi tão grande

A lua estava no céu
Em sua forma incompleta
Exibindo uma meia beleza
Para uma plateia deserta

Até a Terra girava
Éramos duas perdidas
Ela ao redor de seu sol
E eu de uma estrela querida

E deitada sozinha
Tudo que via era saudade
Até a próxima vista
Porque hoje já é tarde

Olhando à primeira vista
Parecia tudo no lugar
Mas o coração meio que batia
Buscando razão para acelerar

E só por isso, muito pouco
Pelo que podem me dizer
Eu tinha mente e tinha corpo
Tinha tudo, menos você

Mas de que adianta a mente
Se faltar a emoção
E de que adianta o corpo
Faltando parte do coração

E de que adianta tudo
Sem sua mão na minha mão
Sem você perto de mim
Estou perdida em translação



(Imagem: Maggie Paiva)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pensamentos soltos #1

Desencontros são pessoas indo ao mesmo lugar, por caminhos diferentes, com objetivos semelhantes e ideias opostas. A equação quase matemática disso tudo é um grande nada chegando a lugar nenhum.

Desencontros são terríveis e você só sabe que um aconteceu quando você desiste de esperar, quando acaba tudo e você está num misto de raiva e epifania na pseudo segurança do próprio quarto, bem como aconteceu comigo hoje.

Mas, verdade seja dita, os desencontros geram histórias, proporcionam momentos e até encontros não planejados, desencontradamente encontrados. Por bem, ou por mal, viva os desencontros.

(porque até post eles rendem)

domingo, 2 de novembro de 2014

Foto da semana #1

É uma proposta pensada antes mesmo do blog tomar forma, uma foto por semana (no domingo), iniciando o terminando a semana, dependendo do ponto de vista. Fica o descanso, o tempo, a imagem. E que termine assim tranquilo. E que comece tudo de novo.


Essa foto é de uma gatinha que eu encontrei pelo Pici (um dos Campi da UFC em Fortaleza), ela havia acabado de ser mãe e estava toda protetora perto dos filhotes recém-nascidos, saindo pouco pra ver se estava tudo bem ou receber carinho. Num dos momentos em que eu estava tentando pegar ela olhando para a câmera, ela avistou algo mais interessante, ou talvez perigoso (o pici tem muito movimento de pessoas e até cachorros que podem ameaçar os filhotes) e fez essa "cara", com as pupilas diminuídas, em total atenção. Momento perfeito, zoom, clique.
A foto ainda faz parte de um projeto que eu estou desenvolvendo com uma seleção de fotos de gatos que tenho feito.

(Imagem: Maggie Paiva)

sábado, 1 de novembro de 2014

Outros escritos #1

Todos os claros serviam para a teoria, a constante luz do sol dos dias em que se viam apenas aumentava sua timidez, porém iluminando uma certa vontade crescente. Para não dizer que eram apenas sorrisos, olhares e segundos de esperança, existiam as palavras, verdades ditas na calada da noite quando ambos estavam longe e portanto nada podiam fazer, além de esperar que no dia seguinte a coragem aumentasse, ficando condizente com a vontade que já não cabia no peito, e os guiasse no caminho curtíssimo até o rosto, de poucos passos, até o rosto logo à frente, logo ao lado, dependendo de onde estivessem sentados.
Assim se seguiam os dias, entre conversas, abraços sem jeito, olhares longos, chocolates da barraca do tio Rui, visitas a biblioteca, segredos e memórias compartilhadas, ia nascendo um sentimento e não tinha ninguém pra dizer que era errado, que era de outro jeito, felizmente, ninguém sabia deles e ninguém podia dizer nada e, por isso mesmo, eles puderam seguir sem empecilhos, alimentando o sentimento tão bonito.
Depois de todas as brincadeiras, chocolates e conversas, depois de todos os jogos que levavam a verdades reveladas na madrugada, depois de todos os corações partidos e o medo da rejeição, o medo da dor, o medo do amor, havia de chegar o dia em que a vontade ia ser maior, maior que a timidez, maior que a luz do sol. O dia em que todas as confissões se traduziriam numa única ação, no lugar em que tivesse de ser, como tivesse de ser, porque não havia nada nem ninguém ditando normas, regras ou uma receita. E, sem nem saber o que estava fazendo, eles conheceriam o amor pelo simples fato de senti-lo, não haveria espera que desmerecesse o momento que seu exatamente quando tinha que se dar.
No dia que estava escrito em algum lugar do mundo, por algum dedo, numa folha que ninguém nunca leu, eles foram agentes dos próprios destinos, sem receitas, eles fizeram do jeito que era mais certo para eles. Era pra ser mais um dia apenas, mais algumas conversas, mais algumas verdades, outras poucas ansiedades e depois despedidas e abraços, mais tarde seria a hora de confessar o que cada um gostaria de ter feito. Talvez pudesse ter sido assim, mas não foi. No meio do eterno local de encontros, no meio de alguma tarde quente, com o sol no meio do céu. O chocolate, personagem de tantos momentos da curta amizade, tornou-se aliado. E, porque não poderia ser diferente, na penumbra do interior de um elevador, nenhuma luz foi necessária, a promessa de um doce, olhos fechados e a vontade pode enfim conduzi-los, frente a frente, um ao outro. Mãos tremendo, rostos colado e um beijo silencioso, rápido, que traduziu tudo que havia de ser dito. Lábios molhados, a marca do que acabara de acontecer, a timidez que antes foi empecilho, acabou por se reduzir, presente apenas no sorriso com que se olhava, se admiravam, os olhos com um certo brilhando dançante gritando, pulando e amando.
Quando a porta se abriu, as mãos ainda encostadas nada revelavam para além deles mesmos, que não sabendo onde iriam parar, sabiam exatamente onde estiveram parados e, sem saber o que ia acontecer, sabiam o que havia acontecido. No meio do mundo e sua história, apenas um beijo, mas para eles, o começo, portas abertas para um certo amor bonito, um antes virando um agora que se transformaria num depois, conforme a vontade de amar que só sabia crescer. E beijaram, e amaram, num dia em que a penumbra foi maior que qualquer luz, qualquer sol, só não maior que o
amor que estavam destinados a sentir um pelo outro.

(Imagem: Maggie Paiva)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Tudo é rima #1



















Da infância que acabou já faz um tempo
Das brincadeiras de noite nas ruas vazias
Das conversas até tarde na calçada
Sobram lembranças que eu levo pra vida

Dos momentos em que paro pra pensar
Das coisas que eu deixei pra trás há certo tempo
É quando fecho os meus olhos pra lembrar
Das lembranças, da cidade, dos momentos

As viagens ao interior do interior onde eu morava
São as melhores das lembranças que eu levo
Fins de semana que eram fugas mascaradas
Da rotina, da vida, obrigações e colégio

Até onde isso tudo me levava
Detalhes pintando os momentos de alegria
Com o sol que queimava as costas suadas
Iluminando os sonhos das crianças que riam

A estrada de terra batida no caminho
O carro de horário levantando a poeira
A menina na janela sonhando com o sertão
Em família, conversas, brincadeiras

As histórias de terror na calada da noite
Os pedaços de árvores virando brinquedos
As descidas até a plantação de mangas
Onde até formigueiro dava medo


Dá saudade lembrar desse jeito
Saber que viveu mesmo que as imagens se apaguem
Como um suco de caju em fim de tarde no sertão
Como são doces as lembranças dessas viagens


(Imagem: Maggie Paiva)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Velhos textos #1

Mentiras, verdades, lembranças que vejo
memórias e lágrimas que se cruzam enfim
dúvidas incertas da menina no espelho
medos que me fecham em mim

e eu lembro de momentos em que fui mais feliz
ou talvez não tenha sido mesmo assim
pra onde olho, o que faço, o que o coração diz
que eu estava sonhando e o sonho chegou ao fim

eu te assisto chorar se encolhendo de medo
do que a vida reserva e do futuro em segredo
eu não consigo olhar para teus olhos vermelhos
porque a criança assustada é meu reflexo no espelho

não chora menina que o dia já vai amanhecer
o sol vai secar as lágrimas que insistem em descer
deixa os demônios fugirem madrugada adentro
você vai ficar melhor, eu prometo

teu sofrimento é nosso e eu levo comigo
teu coração perturbado é meu melhor amigo
acalmo a tempestade e te faço dormir
guardo a criança que fui dentro de mim

te olhar nos olhos me dá forças pra seguir
seguir em frente e nos proteger
te orgulhar de mim, esquecer o que restou
nós somos o mesmo, eu te tenho, eu te sou

teus olhos ingênuos me encaram, vermelhos
a criança que eu era me assiste do espelho
mas deixo os demônios fugirem madrugada adentro
eu vou ficar melhor, eu prometo

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Tenho lido #1

(Primeiro, eu preciso confessar duas coisas:

1-Eu ainda não terminei o livro.
2-Eu ainda não vi o filme, então não vai ficar uma coisa que se diga "nossa, que texto completo", mas vamos lá...)

Para mim, é impossível começar a falar de "12 anos de escravidão" (o livro) e não dizer "leia!" antes mesmo de falar o básico sobre ele, porque embora eu ainda não tenha chegado ao final, o livro é bem capaz de ganhar o leitor nas primeiras páginas, ou apenas pela capa, não pela beleza em si, mas por saber do que se trata a história.
É claro que eu também não vou dar nenhum spoiler, desnecessário, até porque o próprio autor conta o final nas primeiras páginas do livro, você vai ler não pra descobrir como a história dele termina, mas como ela acontece, cada detalhe, sentimento, passo que Solomon Northup deu durante a sua sina que, se não estiver muito claro, durou 12 anos.
Explicando, o livro, em suas pouco mais de 250 páginas, conta a história de um negro norte-americano que nasceu livre, filho de escravos que o ensinaram o valor da liberdade, mas também do trabalho e da dignidade presente em ambos. Solomon Northup, sobrenome "adotado", proveniente dos antigos senhores de seus pais, cresceu livre e trabalhador, constituiu família, tocava violino, sonhava em ter uma casa para si, sua mulher e suas crianças, fazendo de tudo para conseguir trabalho e dinheiro para manter a todos. Essa última característica, talvez, em parte, pode ter contribuído para sua ruína.
Em busca de trabalho, Northup encontra com dois homens que se dizem artistas de circo e, impressionados com a habilidade dele com o violino, convidam-no para viajar com eles até onde o circo se encontra, garantindo pagamento, alimentação e uma rápida volta para sua cidade, sua casa e sua família. No entanto, alguns acontecimentos melhores descritos no livro, embora turvos para o próprio Northup, fazem com que ele seja sequestrado e vendido como escravo por um comerciante que se recusa a reconhecer seu nome e sua liberdade, torturando-o a cada momento que ele cita uma das duas coisas.
É preciso explicar o que estava acontecendo nos Estados Unidos no momento. A história começa em 1841, com o país dividido em Norte e Sul, a configuração que levaria a Guerra Civil Americana (ou Guerra de Secessão) já que os dois pólos pensavam e trabalhavam de maneiras bastante diferentes. Por exemplo, num dos lados, os escravos estavam sendo libertos, realidade bem diferente do outro.
Northup, como homem livre pertencente ao lado onde isso era possível, acaba viajando para o outro, o que torna possíveis os acontecimentos que se desenrolam no decorrer da história, durante os 12 anos em que ele permaneceu como escravo até conhecer novamente a liberdade.
Muitas coisas me chamaram atenção nesse livro, até onde eu li (a metade). Primeiro, o fato de ser uma história real, imaginar tudo ali descrito acontecendo em algum ponto do tempo e espaço sempre ganha minha atenção. Outra, o relato de Northup, que não se considera escritor, é muito rico, suas descrições realmente dão asas à imaginação para "observar" todas as atrocidades e os lugares onde aconteceram. Além disso, ele consegue passar uma emoção através de suas palavras que só poderia alguém que de fato passou por tudo que ele passou. Também me chamou atenção a integridade de Northup que, mesmo angustiado com sua situação, manteve seu caráter, o máximo possível de sua dignidade, sua força para o trabalho, sua coragem e sua disposição para ajudar os outros, antes até dele mesmo. A última razão pelo qual iniciei a leitura é essencialmente pessoal, trata de um tema ao qual eu sou muito sensível que é a escravidão, as descrições e as imagens que se propagam pela imaginação permitem refletir sobre essa mancha que se expandiu pelo mundo e sentir um pouco da dor que cada escravo sentiu, o que é delicado.
É impossível saber, mas penso que estava escrito na história que se Northup teve que ser escravo por 12 anos, mesmo tendo nascido livre, é porque ele tinha que escrever esse livro e perpetuar seus relatos e todas as informações, emoções e reflexões que ele passa, enquanto quem está lendo permanece torcendo para ele, a cada minuto, a cada página, linha e lágrima.


Espero poder terminar o livro em breve e fazer um novo post sobre ele. Fico pensando que emoções ele traz no final, visto que tal final é revelado desde o início.

Para quem se interessar, ele está em promoção na Saraiva e na Livraria Cultura, ambas em Fortaleza. Agora ele é vendido com a capa do filme (que ganhou o Oscar de melhor filme no início de 2014), mas possui uma capa interna também muito bonita. Se é que eu já posso falar isso, certamente vale à pena a leitura, é quase impossível de largar e, parafraseando uma crítica que eu não lembro onde li, é um relato que deveria ser lido por todos.


(Imagem: Maggie Paiva/Blog "Desenquadradas")

Recomeço

Eu não sou poeta
sou mais um ser deprimido
sai de casa escondido
pra caminhar na linha do trem

tem dias que eu não vejo
mais sentido em nada disso
mas vou até onde eu consigo
da liberdade, eu sou refém