Queime meu nome, queime minhas coisas
queime quem sou,cada vez mais quente
porque eu já estou vivendo no inferno
e tenho que agradecer pelas correntes
É engraçado perceber o que as pessoas preferem
toda a artificialidade e toda falsidade que há
porque é difícil lidar com seres humanos reais
e os robôs são tão mais fáceis de controlar
Acho que alguém esqueceu de me programar
e o vocabulário não é o certo
nem a cor, nem o cabelo, nem o rosto, nem o corpo
e por isso, e por mais mais, me odeiam
Acho que esqueceram mesmo de me programar
seja lá quem fosse o responsável
e não há 'por favor', 'com licença' e obrigado
que faça essa garota se enquadrar
Está muito tarde pra isso
quando todos já conviveram comigo
e sabem ou pensam saber quem sou
a menina que não agrada o acusador
Então queime, mais quente melhor
eu sou a pior ovelha negra que você vai encontra
a ovelha sem dono e criador que caminha
e vai escolher qualquer coisa a agradar
Deixe que com as correntes eu lido
já estou no inferno mesmo
e quando meu sangue começa a ferver
é que eu sei exatamente o que fazer
Mas eu nunca vou ser aquela menininha
que todos amam e deixando quando acabou
eu sei que eu nunca vou viver para gostarem
do que aquela menininha se tornou
Eu não vou sorrir porque esperam
não vou agradecer pelo sofrimento
não vou olhar de baixo pra cima
vou lidar com os fracassos de ser eu mesma
Vou fugir quando tiver a chance
e deixar todo o inferno pra sempre
e eu sei que não vou olhar pra trás
e sei que nenhum inferno dura eternamente
Eu vou saber os rostos a evitar
porque meu sangue ainda vai ferver
longe do inferno em que me joguei
eu vou sempre lembrar, pode crer
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