segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Outros Escritos #2


Muita coisa aconteceu entre o meu post de sexta (Tudo é rima) e o sábado, aí me atrapalhei toda... Felizmente foram coisas boas, minha segunda sobrinha,que estava sendo ansiosasemente aguardada por essa tia babona, chegou quase de madrugada, aí foi correria, choro de alegria, querer ver, querer pegar e amar a mais nova pessoinha da família, por quem já estou totalmente apaixonada. Inspirada pelo nascimento da pequena Rebeca, eu - que já tenho de sobrinhos o Alan, o Rayan e os pequenos Gabriel e Raquel - resolvi trazer algo de um deles pra compor o post de hoje, expressando todo meu cansaço de espera, mas minha felicidade pelo momento que chegou.

Era um domingo, lembro que era domingo porque foi um dia muito importante, não que eu soubesse disso enquanto o dia passava, eu só ia descobrir mesmo de noite. Mesmo reconhecendo a importância desse dia hoje, não consigo lembrar de tudo que eu vivi durante suas horas. Lembro do sol escaldante, de uma bola, de estar em outra cidade, visitando a família do meu pai, brincando com primos que eu conhecia e com o que eu não conhecia também, mas são coisas facéis de lembrar, o que realmente iria marcar aquele 13 de maio de 2007 na minha vida só iria acontecer quase no fim daquele dia, que era inclusive dia das mães.
Depois do dia cheio, quente, cansativo e distante, era hora de voltar pra casa. Eu posso dizer que não lembro nem como cheguei em Quixadá, se fui dormindo o caminho todo, ou algum pedaço, ou quanto tempo durou, só sei que eu cheguei, com meu pai, e minha mãe já estava nos esperando com uma notícia mais do que aguardada: O Gabriel havia nascido.
Faz-se necessário explicar quem era Gabriel, além do óbvio de que ele era um bebê recém nascido. João Gabriel nascia pra ser o primeiro filho do meu irmão mais velho, uma vidinha ansiosamente aguardada pelos últimos nove meses, que chegava a essa Terra bagunçada pra ser babado e muito amado pelos familiares, especialmente pela tia que já vinha sonhando com o rostinho dele por várias noites.
Quando a minha mãe falou, parece clichê, mas por um segundo eu nem acreditei, parecia aquelas coisas boas demais pra ser verdade ou pra acontece com a gente, mas no segundo seguinte, com a ficha caindo à força, eu só queria voltar para dentro do carro e ir para a maternidade da cidade o mais rápido possível, conhecer aquela pessoinha que eu já amava tanto. E foi o que aconteceu, não me pergunte quem dirigiu, não me pergunte nem se eu fui realmente de carro, eu só sei que em algum momento eu estava caminhando a passos largos pelo corredor branco dos hospital, os passos endereçados de quem cresceu correndo por aqueles corredores, eu sabia exatamente pra onde ir.
Na porta do quarto certo, eu parei pelo que pareceram ser milésimo de segundos, antes de abrir e entrar no quarto branco, bem de frente para a visão que mudaria minha vida e me apresentaria a um amor como eu nunca imaginei ser possível sentir. Lá estava ele, tão pequeno, enrolado em uma coberta azul, a cabeça com alguns curativos por conta de complicações no parto, enrugado, vermelho, bochechudo, saudável e eu embasbacada só olhando, sem saber que reação ter ou que atitude tomar diante daquela primeira vez, aos 14 anos de idade. Nesse ponto, as coisas se misturam um pouco, eu não lembro mais o que exatamente aconteceu e a ordem dos acontecimento, lembro de ter ficado muito tempo olhando para o pequeno João Gabriel, lembro de finalmente ter tido coragem para segurar, lembro da mãozinha minúscula dele segurando um de meus dedos, gesto que ele ainda repetira muito, lembro, por fim, de ter me apaixonado por aquele ser humanos com tão poucas horas de vida e de experiência, mas com uma capacidade de se fazer amado que só podia ser de outro mundo.
Por tudo que eu senti nesse dia, por tudo que aconteceria depois, por tudo que eu viveria com aquele garoto, por tudo que ele me ensinaria através da sua inocência de criança, por todas as madrugadas acordada, os choros, as histórias contadas, os risos, a mãozinha segurando meu dedo, o gesto mais simples que me mostrou o que há de mais complexo, porém real, em saber que você daria a sua vida pela de outra pessoa.

Para o pequeno, que já tem 7 anos, João Gabriel, um dos maiores amores que eu conheci nessa vida <3

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