quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Tenho lido #1

(Primeiro, eu preciso confessar duas coisas:

1-Eu ainda não terminei o livro.
2-Eu ainda não vi o filme, então não vai ficar uma coisa que se diga "nossa, que texto completo", mas vamos lá...)

Para mim, é impossível começar a falar de "12 anos de escravidão" (o livro) e não dizer "leia!" antes mesmo de falar o básico sobre ele, porque embora eu ainda não tenha chegado ao final, o livro é bem capaz de ganhar o leitor nas primeiras páginas, ou apenas pela capa, não pela beleza em si, mas por saber do que se trata a história.
É claro que eu também não vou dar nenhum spoiler, desnecessário, até porque o próprio autor conta o final nas primeiras páginas do livro, você vai ler não pra descobrir como a história dele termina, mas como ela acontece, cada detalhe, sentimento, passo que Solomon Northup deu durante a sua sina que, se não estiver muito claro, durou 12 anos.
Explicando, o livro, em suas pouco mais de 250 páginas, conta a história de um negro norte-americano que nasceu livre, filho de escravos que o ensinaram o valor da liberdade, mas também do trabalho e da dignidade presente em ambos. Solomon Northup, sobrenome "adotado", proveniente dos antigos senhores de seus pais, cresceu livre e trabalhador, constituiu família, tocava violino, sonhava em ter uma casa para si, sua mulher e suas crianças, fazendo de tudo para conseguir trabalho e dinheiro para manter a todos. Essa última característica, talvez, em parte, pode ter contribuído para sua ruína.
Em busca de trabalho, Northup encontra com dois homens que se dizem artistas de circo e, impressionados com a habilidade dele com o violino, convidam-no para viajar com eles até onde o circo se encontra, garantindo pagamento, alimentação e uma rápida volta para sua cidade, sua casa e sua família. No entanto, alguns acontecimentos melhores descritos no livro, embora turvos para o próprio Northup, fazem com que ele seja sequestrado e vendido como escravo por um comerciante que se recusa a reconhecer seu nome e sua liberdade, torturando-o a cada momento que ele cita uma das duas coisas.
É preciso explicar o que estava acontecendo nos Estados Unidos no momento. A história começa em 1841, com o país dividido em Norte e Sul, a configuração que levaria a Guerra Civil Americana (ou Guerra de Secessão) já que os dois pólos pensavam e trabalhavam de maneiras bastante diferentes. Por exemplo, num dos lados, os escravos estavam sendo libertos, realidade bem diferente do outro.
Northup, como homem livre pertencente ao lado onde isso era possível, acaba viajando para o outro, o que torna possíveis os acontecimentos que se desenrolam no decorrer da história, durante os 12 anos em que ele permaneceu como escravo até conhecer novamente a liberdade.
Muitas coisas me chamaram atenção nesse livro, até onde eu li (a metade). Primeiro, o fato de ser uma história real, imaginar tudo ali descrito acontecendo em algum ponto do tempo e espaço sempre ganha minha atenção. Outra, o relato de Northup, que não se considera escritor, é muito rico, suas descrições realmente dão asas à imaginação para "observar" todas as atrocidades e os lugares onde aconteceram. Além disso, ele consegue passar uma emoção através de suas palavras que só poderia alguém que de fato passou por tudo que ele passou. Também me chamou atenção a integridade de Northup que, mesmo angustiado com sua situação, manteve seu caráter, o máximo possível de sua dignidade, sua força para o trabalho, sua coragem e sua disposição para ajudar os outros, antes até dele mesmo. A última razão pelo qual iniciei a leitura é essencialmente pessoal, trata de um tema ao qual eu sou muito sensível que é a escravidão, as descrições e as imagens que se propagam pela imaginação permitem refletir sobre essa mancha que se expandiu pelo mundo e sentir um pouco da dor que cada escravo sentiu, o que é delicado.
É impossível saber, mas penso que estava escrito na história que se Northup teve que ser escravo por 12 anos, mesmo tendo nascido livre, é porque ele tinha que escrever esse livro e perpetuar seus relatos e todas as informações, emoções e reflexões que ele passa, enquanto quem está lendo permanece torcendo para ele, a cada minuto, a cada página, linha e lágrima.


Espero poder terminar o livro em breve e fazer um novo post sobre ele. Fico pensando que emoções ele traz no final, visto que tal final é revelado desde o início.

Para quem se interessar, ele está em promoção na Saraiva e na Livraria Cultura, ambas em Fortaleza. Agora ele é vendido com a capa do filme (que ganhou o Oscar de melhor filme no início de 2014), mas possui uma capa interna também muito bonita. Se é que eu já posso falar isso, certamente vale à pena a leitura, é quase impossível de largar e, parafraseando uma crítica que eu não lembro onde li, é um relato que deveria ser lido por todos.


(Imagem: Maggie Paiva/Blog "Desenquadradas")

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