(Talvez seja o maior dos clichês, mas já que eu sou um clichê ambulante - e clichê nenhum supera meu amor pelo Chespirito - eu não podia deixar essa carta só na mente, ficaria tudo muito cheio num momento em que eu só precisava estar vazia.)
Diz agora como eu vou assistir Chaves sem chorar, ou como eu vou rir assistindo Chapolin, se cada um deles leva o seu rosto?
Mas talvez eu vá porque aprendi com o mestre, o mestre que me ensinou a ser alegre, a cantar, a rir das coisas mais simples, ensinou sobre coisas mais importantes também, como vingança, amizades, sobre repartir e compartilhar, tanta coisa que eu aprendi rindo e vou levar para o resto da vida.
O mestre que inspira minha vida acadêmica, cujas frases eu repito sempre, que me fez uma criança mais feliz que trocava o sim pelo não e sonhava em ter um barril pra se esconder. Me levou a acapulco, a viagem mais importante da minha vida, sem nem sair de casa. Me levou pra escola, aulas de história, aritmética, artes e me fez gostar de aprender. Com ele, aprendi sobre tribos perdidas e que não são pedras, são aerolitos. Gargalhei com a corneta paralisadora e as pílulas de polegarina, enquanto aprendia que ser pequeno tem suas vantagens. Ele me ensinou a importância da consciência limpa, o valor das risadas e que água suja pode ter gosto de refresco. E, hoje, talvez eu seja uma pessoa melhor porque tive Bolaños na minha infância e adolescência, assim como terei para o resto da vida.
Obridado Bolaños, por ser parte de que eu sou, pela sua influência na minha vida, por me transformar na pessoa de quem outras pessoas lembram quando veem qualquer coisa sobre Chaves. Há uma semana atrás, eu cortei o bolo dos meus 21 anos com as iniciais do seu apelido mais célebre, hoje você deixa o mundo, apenas fisicamente, porque você nunca vai morrer.
Eu prometo me despedir sem dizer adeus jamais, pois enquanto seu legado viver, haveremos de reunirmos muitas, muitas vezes mais.
"... não pense, Chaves, que não darei valor à nossa possível amizade. Eu só quero lhe agradecer. Agradecer infinitamente por tudo que me deu..." (O diário do Chaves)
Obrigado, Bolaños. Obrigado, Chespirito. Obrigado, mestre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário